Essa copa vai ser no mínimo diferente pra mim. Considerando que nasci em 90 (que gracinha), não me lembro de nada de 94, muito pouco de 98 e me esforcei pra assistir alguns jogos de madrugada em 2002. Em 2006, assisti a todos os jogos.
Ok, já fazia um tempo que eu queria falar sobre minhas impressões das Copas. Vamos a elas:
Em 98, me lembro que torcia pela Jamaica. Fiz bandeirinha e tudo. Uma certa mania de, em duelos muito desequilibrados, torcer pelo mais fraco. A Jamaica tomou de 5 da Argentina, perdeu da Croácia, mas ganhou do Japão. Ótimo, fiquei feliz. Lembro do Kluivert jogando muito na semifinal contra "nós" (Brasil). Suave lembrança da Final, do Barthez socando aquela bola e acertando o Ronaldo, amarelaço. E do Petit fazendo o último gol.
2002... Em 2002 eu resolvi torcer pra Espanha. Um timaço. Casillas, Hierro, Morientes, Raul. Um timaço. Na primeira fase, tudo maravilha. 3 jogos, 3 vitórias. Nas oitavas, Irlanda. Jogo ruim, empate, 1 a 1. Nos pênaltis, passou. A minha aventura de espanhol acabou nas quartas. O juiz me fez o favor de, num jogo às 5h30 da manhã, meter a mão na seleção que eu torcia e "saímos".
Outra coisa que não esqueço: Suécia 1x2 Senegal. Jogão, viu? Sério. Às 3h30, claro.
Brasil. Lembro das quartas contra a Inglaterra. Ótimo jogo. Pena que eu dormi nos momentos cruciais e só acordava com os gritos (hahaha, palhaço). No fim de tudo, festa meio 'estranha', eu diria. Eu saí de casa e uma senhora me parou: "O Brasil ganhou?" - "SIM!!!" - "Ganhou o que?". Putz. Jamais me esquecerei.
Alemanha, 2006. Acho que foi ali que eu descobri a paixão pelo jornalismo esportivo. Eu queria estar lá. Queria narrar todos os jogos. Não deu. Mas aí eu fiz um banco de dados. Pode perguntar. Quem fez o gol, como foi, quanto tempo de jogo. Eu sei. Jogos do Brasil regados à pipoca e guaraná na casa do Gustavo. Bolão rolando e eu nunca acertava. Contra a França eu não fui.
E agora chega 2010... Ainda não tenho certeza, mas vou ficar escrevendo alguns posts nesses dias que antecedem a estreia, sobre o que eu espero de cada grupo, cada seleção.
2010, tô trabalhando. Não vai dar pra assistir, pelo menos as rodadas iniciais. TV no trabalho ou patrão liberando pra ver, chance zero.
Para o jogo de ontem, entre Fluminense e Corinthians, me preparei psicologicamente melhor, o que não faria em qualquer outro jogo. Motivo: meu amigo tricolor Gabriel Peres, companheiro de Canal Fluminense ( http://www.canalfluminense.com.br ), me pediu pra escrever a crônica do jogo.
Confesso a inexperiência nisso, fiz apenas uma vez. E não ficou legal. Mas ok, beleza, vamos fazer. Bloquinho na mão, fiz a melhor análise tática da vida. Focando no jogo em si e não me preocupando em torcer (é, talvez um pouco), enxerguei melhor os erros de passe da dupla sertaneja Diguinho e Diogo, a forte marcação dos três volantes do Corinthians e a insistência do Flu em jogar pelo meio.
No momento do gol do Corinthians, claro, espasmo de torcedor: "BURRO! BURRO! BURRO!", gritou esse que vos escreve, sozinho no quarto e embasbacado com a capacidade que o 'nosso' goleiro Rafael tem de ser derrotado. É um péssimo goleiro (confio mais no FH, agora podem me criticar).
Mas enfim, muitas linhas depois, escrevi a crônica. Beleza, parabéns pra mim. Vou ver o que os outros sites dizem sobre o jogo. CARALHO! Não é que o Gaciba meteu a mão no Fluminense? Ok, eu tinha reparado no lance do impedimento mal marcado do Rodriguinho. Mas, caramba, eu devia ter xingado muito esse juiz. E como devia...
Lágrimas já não adiantam mais. Agora é pensar no Fla-Flu de quarta. Professor Muricy tá ajeitando o time, reforços estão chegando e estou confiante como nunca estive nos últimos 5 anos. PRA CIMA DELES, FLUZÃO!!!
Cercada de preconceitos, a irmandade dos Alcoólicos Anônimos surpreende quem a conhece pela primeira vez
Quando cheguei ao local da reunião dos Alcoólicos Anônimos, me deparei com portões abertos e um corredor iluminado. Ao final do corredor, há uma pequena placa na parede com os dizeres: “Só por hoje”. Descendo dois lances de escada, vejo um senhor de estatura baixa sentado à mesa principal (que quase cobria sua visão por completo). Sua mesa está de frente para todos os outros presentes na sala.
Qualquer tipo de receio ou medo que houvesse em mim desapareceu ao ouvir um sincero “boa noite” vindo de X, o homem sentado à mesa. Como o próprio nome diz, a irmandade é anônima, portanto não vou revelar nomes. Pergunto se ele é Y., a pessoa para a qual eu havia ligado mais cedo. Ele responde que não: “aquele é o companheiro Y.”, apontando para outro senhor, sentado na primeira fila de cadeiras, junto aos outros.
Há cinco pessoas sentadas nas cadeiras da sala: um jovem, aparentando 22 ou 23 anos, uma senhora e dois homens. Todos me cumprimentam e me sento para assistir à reunião. O objetivo não era atrapalhar o andamento e, para isso, digo que não vou fazer perguntas, apenas ouvir. Após alguns minutos, entram na sala mais um senhor e uma mulher, que, após cumprimentar todos, se direciona diretamente para a copa ao fundo da sala e começa a preparar café. Olhando em volta, reparo nos diversos quadros e banners que estão espalhados pela sala de paredes azuis. O que está acima da porta é o que me chama mais atenção: “Evite o primeiro gole”.
Após me apresentar aos demais companheiros, o coordenador X. começa, para mim, uma verdadeira aula sobre o AA. A irmandade mundial surgiu nos Estados Unidos, em 1935, quando um corretor financeiro de Nova Iorque, entregue ao vício do álcool, procurou outra pessoa para que juntos pudessem se ajudar e ajudar outros na mesma situação. Unido a um cirurgião que enfrentava o mesmo problema, percebeu que dividindo seus relatos conseguia se manter sóbrio, assim como seu amigo.
No Brasil, a irmandade chegou em 1947, quando foi instalado o primeiro grupo de AA no Rio de Janeiro. Em Minas, Juiz de Fora foi a primeira cidade a formar (não há fundação de AA) um grupo, em 1961. Em 1973, chegou à Muriaé.
Após essa explicação temporal, X. me mostra o chamado “livro azul”, cujo verdadeiro título é “Alcoólicos Anônimos”. O apelido surgiu pela cor de sua capa. Esse livro é uma espécie de bíblia para o AA. Apontando para a toalha que cobre sua mesa, o coordenador fala sobre o símbolo mundial da irmandade, um triângulo com as palavras unidade, serviço e recuperação escritas por fora, cada uma em um lado. O conjunto é envolto por um círculo. “Ao chegar, a pessoa procura a recuperação, que é a nossa base, percebe? Após isso, vamos para a unidade, quando a pessoa já consegue enfrentar o problema com serenidade. O serviço vem quando o companheiro passa a ajudar novos companheiros a se manterem sóbrios”.
Os AA não estão ligados a qualquer seita, religião ou organização política. O grupo não faz recrutamento e não oferece nenhuma motivação inicial para adquirir novos companheiros. A vontade de estar presente deve partir da própria pessoa. A irmandade é completamente auto-suficiente. Não podem aceitar dinheiro que venha de outros meios a não ser de doações espontâneas dos próprios companheiros.
Durante a reunião, é passada uma sacola e cada companheiro coloca nela aquilo que pode. Eu, como visitante, não estou apto a fazer doações. Após a passagem dessa sacola, o coordenador pede uma pausa e chama todos para tomar café e comer biscoitos.
Nesse intervalo, converso rapidamente com Y., a pessoa que eu havia conversado mais cedo pelo telefone. Um dos mais simpáticos, ele compartilha comigo um pouco da sua experiência de AA. Confesso a ele que todos os pré-conceitos que eu havia traçado na minha mente já não existiam mais.
Objetivos alcançáveis: traçar prazos curtos e viver um dia de cada vez é a chave para os companheiros de AA se manterem sóbrios
Voltando aos nossos lugares, um dos companheiros me passa um livro e indica um trecho para que eu leia. O capítulo chama-se “Lema das 24 horas” e fala sobre um dos principais pilares da irmandade para que seus componentes se mantenham sóbrios: pensar em um dia de cada vez, traçar objetivos alcançáveis. Ao prometer não beber durante um ano inteiro, a pessoa abre um leque diverso, 365 dias com inúmeras oportunidades para que essa promessa seja descumprida. Pensando em “só por hoje não vou beber” fica mais fácil cumprir.
Retomando a reunião, X. abre espaço para os depoimentos dos presentes. O primeiro a falar é Y., que é saldado com uma salva de palmas por todo o grupo. Em suas palavras, carregadas de orgulho e sentimento, S. fala que o AA é fundamental na sua vida e na de seus familiares. Durante o discurso, S. fala sobre os 12 passos, as 12 tradições e os 12 conceitos do AA. A reunião se torna cada vez mais surpreendente e interessante.
Após o depoimento de Y., que é finalizado com mais palmas, o coordenador retoma a palavra e faz um breve comentário. A frase que se destaca é “O que importa não é o alcoolismo e sim o alcoólico”.
Na sequência da reunião, a mulher resolve falar. Claramente emocionada, ela agradece ao que chama de “poder superior” por dar-lhe mais um dia sóbrio em sua vida. O orgulho presente em cada uma das palavras que sai da boca dos que dão seus depoimentos é evidente e emocionante.
O próximo a dar seu depoimento é o jovem presente. A certeza de suas palavras é contagiante. Reparo em minha volta e todos estão atentos ao que o companheiro diz. “No primeiro momento, me senti esquisito aqui. Achei tudo muito estranho. Mas hoje, é aqui que me sinto mais à vontade”, diz o rapaz, com um largo sorriso no rosto.
Após duas horas, com o fim da reunião, agradeço a todos por me receberem tão bem e confiarem a mim a possibilidade de fazer uma matéria sobre o grupo. Na saída, Y. me entrega um envelope com diversos folhetos sobre os AA e agradece a minha presença. Sou convidado a voltar quando quiser. Despedindo-me de todos, subo as escadas para sair. O portão em que entrei continua aberto.
Vou usar esse espaço pra postar alguns dos textos que tenho "fabricado" na faculdade de jornalismo, que faço desde 2008 (estou no 5º período) na FAMINAS, em Muriaé-MG.
De vez em quando, pode surgir algo "extra-classe", digamos. Uma opinião política, esportiva, social, espiritual e até mesmo sentimental (?!) pode surgir. Dependendo do contexto e da minha vontade de escrever, lógico.
Pra começar, é importante salientar que sou mineiro, muriaeense (ou muriaense, não sei como isso está atualmente). Meu time é o Fluminense, gosto mais do Rio que de SP.
Então, por enquanto é isso. Talvez ninguém vá ler, não vou me preocupar muito.